quarta-feira, 19 de maio de 2010

Toque


É a sensação de toque!
Numa cidade a sério as pessoas caminham, roçam umas nas outras, trocam encontrões...
Aqui, ninguém se toca. Estamos sempre trás do metal e vidro. A falta desse toque é tão doloroso, que nos espetamos contra os outros só para sentir qualquer coisa.
Tornamo-nos prisioneiros de um Universo de palavras impessoais, sem toque, sem sabor e sem gosto.


terça-feira, 11 de maio de 2010

A necessidade da compaixão

"Arrebatavam-me os espectáculos teatrais, cheios de imagens das minhas misérias e de alimento próprio para o fogo das minhas paixões. Mas porque quer o homem condoer-se, quando presenceia cenas dolorosas e trágicas, se de modo algum deseja suportá-las? Todavia, o espectador anseia por sentir esse sofrimento que, afinal, para ele constitui um prazer. Que é isto senão rematada loucura? Com, efeito, tanto mais cada um se comove com tais cenas quanto menos curado se acha de tais afectos. Mas ao sofrimento próprio chamamos ordinariamente desgraça, e à comparticipação das dores alheias, compaixão. (...) Amamos, portanto, as lágrimas e as dores. Mas todo o homem deseja o gozo. Ora, ainda que a ninguém apraz ser desgraçado, apraz-nos contudo a ser compadecidos. Não gostaremos nós dessas emoções dolorosas pelo motivo de que a compaixão é companheira inseparável da dor? A amizade é a fonte destas simpatias."
Santo Agostinho, in 'Confissões'

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Outro lado

Não desesperem, almas tristes. Ainda nos restam 50 quilos de vida.
E acreditem, eles não sabem que do outro lado há nuvens e fogo,
ribeiras de amor trazidas de outro lugar. E um cisne que diz a sua
idade com os dedos...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Louco


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riam-se de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou: "É um louco!" Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.
E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!"
Assim tornei-me louco.
E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa de nós.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Principezinho

Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa.
(...)Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...

Antoine De Saint-Exupery "O Principezinho"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.

Santo Agostinho

domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal Bíblico

Vive mais autenticamente quem mais ama e não quem mais triunfa, ou se preferirem, quem verdadeiramente triunfa é quem mais ama. Continuemos a amar. Incondicionalmente.

José(Élio) e Maria (Cristina)

Soldado(Gonçalo)

Gaspar(Manuel) e Baltasar(João)
Rei Herodes(Mara) e Melchior(Gonçalo)

Pastores(Patrícia e Cristina)

Pastores(Simone e Teresa)

Estalajadeiro(Susana)






"Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor."

É.S.