quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O Louco


Perguntais-me como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido, despertei de um sono profundo e notei que todas as minhas máscaras tinham sido roubadas - as sete máscaras que eu havia confeccionado e usado em sete vidas - e corri sem máscaras pelas ruas cheias de gente gritando: "Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riam-se de mim e alguns correram para casa, com medo de mim.
E quando cheguei à praça do mercado, um rapaz no cimo do telhado de uma casa gritou: "É um louco!" Olhei para cima, para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez a minha face nua.
Pela primeira vez, o sol beijava a minha face nua, e a minha alma inflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais as minhas máscaras.
E, como num transe, gritei: "Benditos, benditos os ladrões que roubaram as minhas máscaras!"
Assim tornei-me louco.
E encontrei tanta liberdade como segurança na minha loucura: a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido, pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa de nós.


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Principezinho

Eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo e eu serei para ti, única no mundo...
Tenho uma vida terrivelmente monótona...
Mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia se Sol.
Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? ... não me fazem lembrar de nada. É uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então quando eu estiver cativada por ti, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti...
Só conhecemos as coisas que cativamos - disse a raposa. - Os homens, agora já não tem tempo para conhecer nada. Compram as coisas feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não tem amigos. Se queres um amigo, cativa-me!
E o que é preciso fazer? - Perguntou o princepezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim em cima da relva. Eu olho para ti pelo canto do olho e tu não dizes nada . A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar mais perto...
Se vieres sempre ás quatro horas, ás três já eu começo a ser feliz...
Foi assim que o princepesinho cativou a raposa.
(...)Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos...
Foi o tempo que tu perdes-te com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante.
- Os homens já se esqueceram desta verdade - disse a raposa. Mas tu não te deves esquecer dela.
Ficas responsável para todo o sempre por aquilo que está preso a ti. Tu és responsável pela tua rosa...

Antoine De Saint-Exupery "O Principezinho"

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos.

Santo Agostinho

domingo, 27 de dezembro de 2009

Natal Bíblico

Vive mais autenticamente quem mais ama e não quem mais triunfa, ou se preferirem, quem verdadeiramente triunfa é quem mais ama. Continuemos a amar. Incondicionalmente.

José(Élio) e Maria (Cristina)

Soldado(Gonçalo)

Gaspar(Manuel) e Baltasar(João)
Rei Herodes(Mara) e Melchior(Gonçalo)

Pastores(Patrícia e Cristina)

Pastores(Simone e Teresa)

Estalajadeiro(Susana)






"Bendita seja a data que une a todo mundo numa conspiração de amor."

É.S.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Tempo de Amor, Do Verdadeiro Amor..


Abaixo o consumismo exagerado
E este amor oco,
É tempo de partilha,
Tempo de Amor, do Verdadeiro Amor.
Por momentos esquece o teu inimigo,
E considera-o um grande amigo.
Porque é tempo de amar
De viver, de sonhar e de acreditar,
Acreditar na mudança e ter esperança,
Esperança de que tudo continuará
Para além das hipocrisias e das mentiras,
Que por momentos desaparecem
Nos sorrisos e beijos forçados
Dados porque ficam sempre bem.
E porque ninguém sabe o que pensam
Mas demonstram amar e não odiar,
Porque é Natal, Tempo de Amor,
Do Verdadeiro Amor.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A chave de mudar o mundo

Caminhava sempre de olhos na calçada, sem olhar para a frente nem para trás, sem avançar muito com os passos, sempre com a comichão de querer voar nos pés, até ao dia em que encontrou escondida entre dois tufos de erva selvagem um objecto que cegava de tanto brilhar: era a chave de mudar o mundo.
A partir desse dia, o caminho fez-se com o pescoço inclinado para cima, na busca de uma fechadura entre as nuvens.

E o mundo sempre igual.

Nem para a frente nem para trás. Caminhava para cima com a vontade, trepava cada minuto com níveis acentuados distância do chão. Pisava-o mas não o pisava. Não há cabeças, não há homens distraídos a esconderem-na atrás de um jornal, não há o velho furioso contra quem acaba de chocar com violência, não há os apitos em marcha lenta nem a travagem sonora sobre a passadeira, sobre o sinal vermelho que quase atropelava este cabeça no ar. Tudo é a infinita escadaria da mudança, o acesso ocasional para mudar o mundo.
E ele caminha, caminha com dez passos de distância entre cada pé, vai, vai sempre, língua apontada ao sol, em tom de ameaça de matar o mundo, percorre na vertical dia após dia. Quer abrir a porta, mas… mudar o mundo com quer cor?

quinta-feira, 19 de novembro de 2009


Carregamos tesouros. Os que levamos no coração. Não basta mudar o embrulho. É preciso ir à força contagiante da alegria. A alegria que dá trabalho porque implica procura dos seus sinais, simplicidade para se maravilhar e encantar.

A vida não vale de nada se não houver partilha, se não sairmos de nós e irmos ao encontro dos outros. A entrega total, sem condições ao outro é essencial mas também é normal que haja medo, porque deixamos de ser donos de algo. Mas isso não é totalmente mau. Por termos medo sabemos o que queremos, e sabemos como havemos de o enfrentar.
E quando o medo vence, enterra-se sempre uma riqueza. Mas nós nunca iremos deixar que nada nos vença!




É.S.